sexta-feira, 15 de março de 2013

VOCÊ CONHECE A DEUS? - Pr. Jorge Júnior



VOCÊ CONHECE A DEUS?




Texto: Lucas 15

Introdução

Você conhece a Deus? É possível que muitos que estão aqui hoje não O conheçam. É possível que você seja um cristão há vinte, trinta anos e não conheça a Deus. Não podemos dizer que conhecemos a Deus se não sabemos o que Lhe causa dor ou o que Lhe traz alegria. No sermão de hoje buscaremos responder essa pergunta analisando um episódio singular da vida de Jesus. Abra sua Bíblia no capítulo 15 do evangelho de Lucas. Esse é um dos capítulos mais explorados por pregadores modernos. Vários sermões são extraídos desse capítulo. Nele existem três parábolas super conhecidas, a parábola da ovelha perdida (Lc. 15:3-7), a parábola da dracma perdida (Lc. 15:8-10) e a parábola do filho pródigo (Lc. 15:11-32). Mas, por que Jesus contou essas três parábolas? Em qual contexto elas estão inseridas? Vamos à leitura do texto. Leremos todo o capítulo.

Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para ouvi-lo. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles. Então, lhes propôs Jesus esta parábola: Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. Continuou: Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e começou a passar necessidade. Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos, a guardar porcos. Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada. Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores.
E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se. Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. Então lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.

1.   Um Deus de Graça

As três parábolas desse capítulo formam uma unidade literária, na qual Jesus contesta os fariseus e os escribas que O criticavam por relacionar-Se com pessoas de má fama. Esse é o contexto das parábolas. Jesus está sendo acusado de comer com pecadores. Ellen G. White comenta que

Os judeus ensinavam que o pecador devia arrepender-se antes de lhe ser oferecido o amor de Deus. A seu parecer, o arrependimento é obra pela qual os homens ganham o favor do Céu. Foi esse pensamento que induziu os fariseus atônitos e irados a exclamarem: "Este recebe pecadores." Luc. 15:2. Conforme sua suposição, não devia permitir que pessoa alguma a Ele se achegasse sem se ter arrependido. [...] Cristo ensina que a salvação não é alcançada por procurarmos a Deus, mas porque Deus nos procura. [...] Não nos arrependemos para que Deus nos ame, porém Ele nos revela Seu amor para que nos arrependamos.  (WHITE, 2008, 189).

Os fariseus e escribas achavam que conheciam a Deus. Para eles a graça de Deus estava sendo desperdiçada por Jesus. O centro do confronto entre esses homens e Jesus era a compreensão da doutrina de Deus. Para os fariseus e escribas Deus não pode Se associar com os pecadores. Jesus contou essas três parábolas para corrigir a visão errada deles. Jesus deseja demonstrar que o coração do Pai se parte por aqueles que se perdem e exulta em abundante alegria por aqueles que são encontrados.

2.     Estrutura Comum
As três parábolas enfatizam:
            1)  a tragédia da perda;
2)  a diligência da busca;
3) regozijo da recuperação.
O ponto principal NÃO é falar daquilo que fora perdido. Mas, focalizar o caráter do pastor que perdeu a ovelha, da mulher que perdeu a moeda e do pai que perdeu o filho. ESSAS PARÁBOLAS REVELAM COMO DEUS É.
Como você se sente quando perde algo de valor?
ILUSTRAÇÃO
            No final de junho de 2012 eu viajei para Moçambique juntamente com um grupo de colegas da Faculdade de Teologia para realizarmos uma série evangelística. Estávamos todos muito animados e empolgados com a experiência missionária. Apesar de longa e cansativa a viagem foi uma maravilha. Tudo era novidade! Ao desembarcarmos em Maputo, capital de Moçambique, ficamos “detidos” na alfândega devido a quantidade de materiais – Bíblias, livros, cd’s, dvd’s, ect. – em nossas malas. Depois de cerca de uma hora fomos, finalmente, liberados para entrarmos no país.
Ao passarmos para o saguão do aeroporto eu procurei em meu bolso da jaqueta minha carteira. Bati a mão ali várias vezes, mas não a encontrei. Procurei na bolsa de mão e nada. Abri os bolsos externos da mala e nada também. O desespero bateu! Corri até a alfândega. Ninguém viu minha carteira. Fui à imigração e ninguém viu também. Procurei junto a empresa responsável pela limpeza da aeronave e nada. Fui à sala da empresa aérea e mais uma vez nada. Dentro da minha carteira tinha todos os meus documentos, exceto o passaporte – graças a Deus! – cerca de 750 dólares para pagar as despesas da viajem. Como vocês acham que eu me senti? Frustrado, triste, magoado, decepcionado, revoltado. Perdi tudo! Você já deve ter se sentido assim também.
Nas parábolas contadas por Jesus o perdido passa a absorver toda a atenção do proprietário:
1.    No caso da ovelha: 1 em 100.
2.    No caso da moeda: 1 em 10.
3.    No caso do filho perdido: 1 em 2.
A lição clara que Jesus quer mostrar é que, em cada caso, os bens perdidos não foram esquecidos e muito menos perderam o seu valor. Isso é indicado pela intensidade da busca.
É interessante que muitas parábolas de Jesus necessitaram de explicação para que as pessoas pudessem entender o significado, por exemplo: a parábola do semeador. Entretanto, essas três parábolas não receberam explicação. Sabe por quê? Porque a lição era clara. O significado era claro. Três parábolas para dar a mesma lição.
3. Quem é quem?
            Como foi dito Jesus contou essas parábolas por causa da acusação dos fariseus e escribas de que Ele comia com pecadores e publicanos. Temos aqui dois grupos: 1) fariseus e escribas; 2) pecadores e publicanos. Jesus contou três parábolas. Quem é quem nessas parábolas? Vejamos:
a)    A ovelha perdida >>> A ovelha é um animal sociável. Ela conhece a voz do seu pastor. Ela conhece o seu grupo. Ela possui algum tipo de instinto auto protetor. Na parábola contada por Jesus ela se perdeu. A quem a ovelha perdida representa? Ela representa os publicanos e pecadores. Pessoas que viviam a margem da sociedade. Rejeitados e discriminados. Eles conheciam a sua condição. Sabiam que precisavam de ajuda. Sabiam que estavam perdidos por isso foram até Jesus. A exemplo da ovelha que sabe que está perdida, mas não tem condição de encontrar o caminho sozinha os publicanos e pecadores tinham consciência de que estavam perdidos, mas sabiam que não podiam fazer nada para se salvarem. Por eles, Jesus, o Bom Pastor, veio a esse mundo. Para encontrá-los e salvá-los. 
b)    A dracma perdida >>> A quem a dracma representa? A dracma era uma moeda de prata de valor aproximado ao do denário, ou seja, um dia de trabalho. Como qualquer moeda a dracma não tinha consciência de nada. Não tinha consciência da sua condição quando estava “salva” nas mãos de sua proprietária e muito menos quando estava “perdida” em algum lugar dentro da casa. A dracma perdida representa os fariseus e escribas que não tinham consciência da sua real condição. Eles estavam tão perdidos quanto os pecadores e publicanos. A situação deles ainda era pior! Eles estavam perdidos dentro de “casa”. Veja, Jesus disse que a mulher perdeu a moeda dentro de casa. Os fariseus e escribas estavam perdidos dentro de sua própria religião. Foi por eles também que Jesus veio a esse mundo. Para encontrá-los e salvá-los. E, eles nem sabiam disso.
c)    O filho pródigo ou o filho mais novo >>> O filho pródigo representa mais uma vez os publicanos e pecadores que fugiram da presença do Pai. Afastaram-se de Deus. Estão no “país distante”. No entanto, agora caíram em si e perceberam que precisam voltar. Entenderam que não existe vida longe do Pai. E, ao voltarem, mesmo sem expressar visivelmente nem um tipo de arrependimento, ainda longe o Pai os enxerga e corre para abraçá-los. São recebidos pela graça do Pai como filhos novamente. 
d)    O filho mais velho >>> O irmão mais velho nitidamente é uma figura dos fariseus e publicanos. Transparecem obediência e fidelidade ao Pai, mas o fazem unicamente para poderem alcançar favores do Pai. Acham que estão em melhores condições do que os demais. O filho mais velho se dirige ao Pai com arrogância e prepotência. Ele pensa que conhecia o Pai. Porém, a história mostra o contrário. Se ele conhecesse realmente o Pai não teria se surpreendido com a recepção do Pai ao filho mais novo. Assim eram os escribas e fariseus pensavam que conheciam a Deus, mas nutriam uma visão completamente distorcida, dentre outras coisas, de Deus e acerca do arrependimento. O filho mais velho não considera o pródigo seu irmão, pois se refere a ele em diálogo com o Pai como: “esse teu filho” (cf. 15:30). Essa é uma clara repreensão de Jesus à postura dos fariseus e escribas que rejeitavam os pecadores e publicanos, seus irmãos espirituais. Quando o Pai responde ao filho ele o corrige com as seguintes palavras: “esse teu irmão” (cf. 15:32”). O irmão mais velho, a exemplo da dracma, estava perdido dentro de casa. O irmão mais velho termina fora de casa enquanto o pródigo retorna para dentro. Fantástica reviravolta na história. Jesus numa jogada de mestre desmonta toda a argumentação dos escribas e fariseus.
ILUSTRAÇÃO
O pastor Amin Rodor, atualmente professor da Faculdade Adventista de Teologia no campus 2 do UNASP, conta que

Há alguns anos, viajando de ônibus de Toronto para Nova York, parei na cidade de Buffalo. Chamou-me a atenção uma grande parede, como um imenso mural, naquele terminal rodoviário. Ali estava uma grande quantidade de fotografias de pessoas desaparecidas. Dezenas de fotos. Homens, mulheres, rapazes, moças e, principalmente, crianças. Todos eles, filhos, filhas, esposos, esposas, netos de alguém. Acima das fotos, escrita em letras enormes, havia a seguinte frase: “perdidos, mas não esquecidos!” (RODOR, 2011, p. 71).

            Deus jamais se esquece dos seus filhos!

CONCLUSÃO

1.    OS FARISEUS E ESCRIBAS ESTAVAM CERTOS:
A acusação deles era que Jesus comia com os pecadores. E o “pior” de tudo é que eles estavam certos. Jesus realmente come com os pecadores. Apocalipse 3:20 diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, Comigo”. Meus queridos isso é maravilhoso! É a maior notícia que seres como você e eu, PECADORES, podemos ouvir! Eu louvo a Deus porque Jesus se assenta e como com pecadores! Porque eu sou o maior dos pecadores. Porque eu preciso de Jesus em minha vida! O fato de Jesus comer com os pecadores não significa que Deus nega a culpa. Como disse o pastor Amim Rodor,
Em comovente simplicidade, Jesus descreve como Deus é. Sua bondade, Sua graça, Sua infinita misericórdia. Este é o Deus a quem Jesus representou. O Deus que recebe os envergonhados, cegos, leprosos, surdos, imundos. Que não nega a culpa, mas perdoa e cura (RODOR, 2011, p. 79).
O próprio Jesus quando esteve na casa de Zaqueu não lhe passou a mão na cabeça negando seus pecados. Zaqueu sabia da sua condição. Quando Jesus chega em uma vida, quando Ele Se envolve em um íntimo relacionamento com alguém Ele o faz para restaurar, transformar e salvar. Como Ele disse acerca de Zaqueu: “Hoje veio salvação a essa casa” (cf. Lc 19:9). “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (cf. Lc 19:10). Está você perdido? Convide Jesus hoje mesmo para sua vida. Convide-O para cear com você. Ele quer transformá-lo. Ele quer salvá-lo. Você aceita?
2.    O CARÁTER PESSOAL DO ENVOLVIMENTO:

Concluindo, o fantástico das três parábolas é que
NÃO é um servo que é mandado para buscar o bem perdido, mas o próprio dono é quem toma a iniciativa da busca. Assim é Deus. Ele próprio, em Pessoa, entrou em cena para recuperar o que havia perdido. Aqui também o perdido não foi esquecido (RODOR, 2011, p. 71).
Meus irmãos Deus nunca Se esqueceu desse mundo. Um dia a Terra, como uma ovelha perdida, se desgarrou do aprisco seguro de Deus no universo. O único planeta que se rebelou em pecado. Mas o nosso Deus não ficou com os braços cruzados. Ele mesmo entrou em cena na Pessoa de Jesus. Ele se tornou um de nós. Eles Se fez carne, sofreu como tudo que você e eu sofremos. O Criador de todas as coisas Se humilhou assumindo a forma humana desgastada em 4 mil anos de pecado. Ele não pecou, Ele não tinha nenhuma mancha de pecado, mas de todos os homens que viveram nesse mundo Ele foi o mais atingido pelo sofrimento causado pelo pecado. Não dEle, mas sim os seus e os meus pecados. Deus poderia ter enviado um anjo talvez. No entanto, somente Ele poderia resolver o nosso problema. Somente Ele poderia nos encontrar e nos salvar. Será que eu estou falando nessa manhã para alguma ovelha perdida, dracma perdida ou filho perdido que gostaria de ser encontrado por Deus? Se esse é o seu desejo eu te convido a ficar em pé para que eu possa orar por você.

O Autor: Pr. Jorge Júnior – Capelão do Residencial Masculino do UNASP-EC



Referências Bibliográficas

RODOR, Amin A. O Incomparável Jesus Cristo. Engenheiro Coelho-SP: UNASPRESS, 2011.

WHITE, Ellen G. Parábolas de Jesus. Tatuí-SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008.

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